segunda-feira, 28 de março de 2011

As vozes do outro lado

As vozes do outro lado
À medida que as terras geladas iam ficando para trás, o cheiro dos humanos se intensificava no ar, a atmosfera parecia diminuir, como se o céu estivesse deslizando sobre nós. Tudo se tornava mais quente a cada hora deixada para trás. Lavínia me seguia de perto, mas nunca ousava tomar a dianteira, mesmo que, com toda sua força de recém criada, ela pudesse facilmente fazê-lo. Ela estava com medo, eu podia sentir em cada passada febril que quase nem tocava o solo, podia sentir na rigidez dos músculos que levavam o corpo dela para frente em movimentos inconscientes. Lavínia não estava respirando há quatro horas. Contudo, eu não conseguia dizer a ela para relaxar. Era a primeira vez, desde Amsterdã, que estávamos nos aproximando da civilização, e como naquela vez, Lavínia estava seguindo meu conselho mais básico: “não respire até estarmos longe o bastante.

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